Onicectomia – Você mutilaria o seu gato para preservar sua mobília?


A justificativa para retirar a unha de um gato é a proteção dos móveis ou evitar acidentes. O que não é tão conhecido é o fato de esse procedimento não tratar apenas da retirada da unha dos felinos, sua realização prevê a amputação de toda a falange distal onde estão alocadas as suas garras. A extração desta parte do corpo do animal compromete toda a sua postura corporal. Retirá-las é como obrigá-lo a andar com um sapato torto para o resto da vida.

A cirurgia, por ser radical, mutilando seriamente uma parte delicada do corpo do gato, pode trazer inúmeras complicações que mais tarde podem resultar em deformidades, amputação de membros e até morte. Não bastasse esse perigo, as garras servem para que ele possa se proteger a agarrar-se em determinados percursos. A falta desta habilidade pode ter impactos severos sobre o psicológico do animal deixando-os deprimidos e/ou agressivos. O stress constante de estar indefeso pode trazer distúrbios físicos e mentais para o gato. O animal pode começar a morder.

Esta cirurgia é considerada crime nos principais países da Europa. Quanto aos moveis estragados, o ideal é que o gato tenha um arranhador e que seja incentivado a usá-lo. As unhas também podem ser cortadas periodicamente.

Este texto da médica veterinária Jane Araújo esclarece um pouco mais o assunto:

“A remoção das garras é uma cirurgia extremamente agressiva, onde a primeira falange (a ponta do dedo) de cada dedo do felino é cortada com uma torquês.
Para fazer isso, é feito um corte no coxim (a parte carnuda) de cada dedo
para se chegar até o osso, já que apenas expondo a garra não se consegue ver a articulação. Alguns ‘profissionais‘ mais preguiçosos simplesmente cortam a unha na base para evitar o corte nos coxins.
Vou expor algumas das complicações que podem surgir desta atrocidade: dentro das unhas ou garras existem um vaso razoavelmente grosso, que quando cortado provoca hemorragia severa. Para evitar a hemorragia após a cirurgia, as patas do animal são enfaixadas firmemente. Como são necessários curativos diários, as faixas são trocadas e existe a possibilidade da atadura ficar muito frouxa – provocando sangramento, ou muito apertada – provocando gangrena.
Imagine ter um corte no pé e ficar em pé e andar… você irá usar apenas o pé que não está cortado, certo? Agora imagine que os 2 pés estão cortados.
Alguns animais adquirem uma postura anormal devido a dor, outros aprendem a andar só nas patas traseiras (mas existem donos estúpidos que mandam remover as garras das 4 patas). Em alguns casos o animal conviverá com a dor pelo resto da vida. Alguns gatos param de usar a caixa de areia devido a dor. Alguns animais passam a desconfiar e temer o dono e/ou o veterinário (por que será???) Muitos animais passam a ser mais agressivos e a morder com mais freqüência, já que sua primeira defesa (as unhas) foi retirada.
Quando uma parte da unha não é removida, pode voltar a crescer deformada, causando mais estrago do que as garras íntegras. Como a única função desse crime disfarçado de cirurgia é evitar que o animal estrague os móveis da casa, o tiro sai pela culatra. Pode ocorrer abscessos nas falanges restantes ou infecção dos tecidos adjacentes. Infecção em osso é um negócio muuuuuito sério!!!
Arranhar móveis, madeira, batentes de portas, árvores, etc. é uma atividade normal de gatos e outros felinos. Ao arranhar as coisas eles estão: exercitando músculos, afiando as garras e marcando território. Este é um comportamento natural e não deve ser mudado.
Alguns animais podem ser adestrados para afiar as garras em locais predeterminados, outros não; mas se você não quer correr o risco de ter sua mobília estragada: NÃO TENHA GATOS!!!
Um bom relacionamento é baseado em respeito, então respeite seu animal e não tente mudar a natureza dele. (…)
Se você não quer ver pelos pela casa, não quer os móveis estragados, não quer ouvir latidos ou miados, não quer limpar fezes e urina: compre um bicho de pelúcia! É macio, peludo, você pode afagar à vontade, não suja, não estraga os móveis, não precisa vacinar,não fica doente, não morre, quando você se cansar dele pode guardar em algum lugar fora da vista por tempo indeterminado e você pode espancar quando quiser.”

É preciso deixar claro que a prática da Onicectomia é proibida no Brasil através da  Resolução 877 do CFMVET, Lei de Crimes Ambientais N° 9.605 e Decreto-lei nº 24645 – Proteção dos Animais. Entretanto, inúmeras clínicas continuam realizando tal procedimento. Procure se informar se o seu veterinário realiza tal prática.

Não seja conivente com este crime: denuncie!

Fonte: Arca Brasil, Amigo Animal, Declawing.com, pawproject

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